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Artigos de opinião

Artigo da autoria de Carlos Pedrosa
Engº Mecânico - Máquinas Térmicas (U.P.)
Refrigeração e Ar Condicionado (U.Londres)

ABC da Climatização

PORQUÊ comprar um ar condicionado? Quais os factores importantes na escolha de um aparelho? Estas são as perguntas que mais facilmente surgirão na sua mente, caso queira adquirir uma unidade de cIimatização.
E por sabermos que a cIimatização assume hoje em dia um papel preponderante, pelo facto de reflectir a importância da existência de ambientes confortáveis e saudáveis, vamos explicar, por partes, os pontos a considerar na escolha de um ar condicionado.

Se a ideia de uma sala fresca no pino do Verão, o conforto de uma divisão quente e aconchegante no Inverno ou um quarto livre de humidade e odores é um pensamento frequente, enfim, o seu conforto é importante, bom, então deverá adquirir um ar condicionado.

Resolvida a questão inicial, adquirir ou não um ar condicionado, eis que surge outro problema: qual a unidade de cIimatização mais adequada?
Em primeiro lugar há que determinar a capacidade necessária. Esta tarefa (apropriada para técnicos autorizados) depende de inúmeros factores, mas simplifiquemos a questão. Meça a área do chão e multiplique por 500.
Exacto! Deste modo obtém uma estimativa da capacidade expressa em Btu por hora. De grosso modo, um aparelho com 9.000, 12.000, 18.000 e 24.000 BTU/h, será suficiente para áreas de 18, 24, 36 e 48 metros quadrados, respectivamente.

A capacidade está resolvida.
Agora surge a outra questão: qual o tipo de aparelho?
O tipo de aparelho, entre outros, poderá ser de dois tipos: split mural ou split consola. Ficou perfeitamente elucidado. Correcto? O termo split refere-se às partes constituintes do aparelho, significando que o aparelho é fixo e constituído por uma unidade exterior. Os outros termos referem-se não só ao aspecto, mas sobretudo à colocação das unidades interiores. Impõe-se um ponto da situação. Mural quer dizer fixação na parede, em ter-mos gerais a dois metros de altura, e consola significa de colocação na parede junto ao rodapé ou tecto. A diferença entre ambos está relacionada com aspectos técnicos (demasiado aborrecidos) e a integração técnica compatível com a decoração ambiente, pelo qual deverá optar consoante o seu gosto pessoal.

Para alem destes aspectos, existem assuntos mais sérios na escolha de um aparelho. Com efeito se pensa adquirir um ar condicionado deverá preocupar-se igualmente com os seguintes pontos: a qualidade do ar climatizado; o ruído do aparelho; a fiabilidade da marca; a instalação do aparelho.
A qualidade do ar depende da presença de poeiras e/ou odores. Estes últimos deverão ser eliminados pela presença de filtros purificadores e desodorizantes, capazes de manter a qualidade do ar da divisão. O ruído, por sua vez, nunca deverá ser elevado, como é óbvio. Este é sobretudo causado pelo ventilador da un-dade exterior. Quando inspecci-onar um catálogo certifique-se que os valores anunciados nunca excedem os 42 decibéis.
A fiabilidade da marca é igual-mente muito importante. A sua escolha deverá recair sobre apa-relhos com certificados de normas de qualidade internacional, fiabilidade e desempenho com-provado no mercado nacional.
Resta, por fim, a instalação. Esta deverá ser efectuada ape-nas por instaladores autorizados. Uma instalação correcta é a garantia de longos anos de funcionamento sem qualquer avaria.

O mercado do ar condicionado

PRETENDE-SE com este artigo dar uma panorâmica geral sobre o que é o ar condicionado, por forma a que o utilizador possa compreender aquilo que pode obter com uma determinada instalação.

O ar condicionado, no seu conceito mais lato, abrange, por um lado, o controlo de temperatura e humidade (com uma determinada instalação pretende-se ter num determinado local uma determinada temperatura e humidade), e por outro lado, o controlo da qualidade, o qual tem por objectivo manter no local um ar com um determinado nível de qualidade no que respeita a poeiras, odores, fumos, etc., bem como a sua distribuição.

Vejamos alguns exemplos para que melhor possamos compreender o que está em causa numa instalação de ar condicionado, já que muitas delas não preenchem todos os requisitos enunciados anteriormente.

1. Tecelagem. Consideremos uma tecelagem que tem instalados teares tipo «Ketten».
Necessariamente temos de ter nestes locais um controlo da temperatura, da humidade e da qualidade do ar. Na realidade, o que aqui interessa não são as pessoas mas o processo industrial em si, muito embora as condições requeridas sejam, neste caso, apropriadas para o conforto humano.
Neste caso, pretende-se uma temperatura de cerca de 22º C, uma humidade aproximada de 65 a 70 por cento e um ar isento de poeiras.
A temperatura é importante mas muito mais importante é a humidade, já que se ela for baixa vamos ter um problema enorme - electricidade estática - que vai originar quebras de fios, desgaste e quebras enormes de agulhas, etc., com os custos inerentes.
A pureza do ar também é importante para evitar que elementos estranhos fiquem metidos no tecido.

2. Tipografias. Neste caso também temos uma grande necessidade de controlar a humidade, para além da temperatura. Na realidade, sendo o papel altamente higroscópio, o controlo da humidade é importante para que se mantenham as dimensões do mesmo, não fique quebradiço, etc.. Por exemplo, na impressão de cores, em que o papel passa mais do que uma vez na máquina, caso haja alterações de dimensões do mesmo, a impressão ficará defeituosa.

3. Laboratórios de medicamentos. Num laboratório de produção de medicamentos, uma das coisas mais importantes é a pureza do ar, cuja qualidade deverá ser uniforme, bem como a temperatura e humidade. Ora, isso obriga a que a quantidade de ar movimentado seja muito maior, com uma distribuição muito uniforme em todo o espaço, com a temperatura do ar a insuflar quase igual á temperatura em todos os pontos do local.
Note-se que na generalidade dos sistemas de ar condicionado, o ar insuflado difere normalmente no mínimo de 6 a 8º C da tempera-tura do local, e chega mesmo a atingir diferenças superiores.
O caso de um laboratório é designado normalmente por «sala limpa». Esta situação, por ser muito complexa, envolve custos muito elevados.

4. Centro comercial. Num centro comercial é importante o controlo da temperatura e da qualidade do ar, e menos importante o controlo da humidade. Na realidade, num centro comercial interessa o controlo do ar no denominado aspecto de conforto, isto é, para as pessoas que o visitam.
Assim, ao controlar-mos a temperatura, pretendemos que as pes-soas se sintam com um ambiente adequado sob esse ponto de vista, enquanto a qualidade do ar é importante para eliminar fumos cheiros, etc..
A humidade é menos importante já que para as pessoas a sua influência não é tão grande visto que o ser humano não é sensível a variações de humidade dentro de certos limites (por exemplo entre 35 e 70 por cento). No entanto, as zonas de corredores têm um tratamento diferente das lojas já que estas devem ter um controlo específico conforme a sua utilização.

5. Hipermercados. Este é outro caso espe-cial já que ao considerarmos um local amplo como um hipermercado temos que tratar zonas diversas de maneiras distintas dentro do mesmo espaço.
Na realidade, há a zona de vendas propriamente dita, a zona da peixaria, a zona de talhos, a padaria, a zona das caixas, a zona de lojas, etc.. É ainda necessário que os odores da peixaria e da padaria, por exemplo, não passem para as outras zonas do hipermercado.
Assim, ao distribuirmos o ar pelos diversos locais temos que procurar que a peixaria, padaria, lojas, etc., fiquem em depressão relativamente às outras zonas adjacentes, por forma a que os odores não passem para a zona de público. Por outro lado, as temperaturas devem ser adequadas a cada um dos locais do hipermercado. A zona de público deve estar adequada para as pessoas que nela circulam e que vêm vestidas com roupas adequadas ao exterior de onde vêm.
No entanto, na zona das caixas a temperatura deve ser outra pois as «meninas» das caixas estão ali sentadas várias horas seguidas. Na zona do talho e da peixaria, bem como dos produtos congelados, a temperatu-ra existente deverá também contemplar os produtos esquecendo um pouco o conforto das pessoas que aí circulam.

6. Restaurante. Este exemplo é típico de conforto pois pretende-se que as pessoas aí se sintam bem. Consequentemente, é muito importante a temperatura, a qualidade do ar e a distribuição do mesmo.
A temperatura, para que as pessoas se sintam e comam em condições térmicas excelentes.
A qualidade do ar é importante para que não haja «mistura» de odores, principalmente da cozinha para a sala de refeições propriamente dita, pelo que a primeira deve estar sempre em depressão em relação á segunda.
A distribuição do ar é também importante para evitar que se sintam «correntes» de ar.

7. Habitações. No caso das habitações, a parte que é normalmente mais importante é a temperatura. A qualidade do ar é controlada indirectamente pelas denominadas «infiltrações» que são as entradas e saídas de ar que se dão através das frinchas das portas, janelas, etc., ou mesmo pela sua abertura momentânea.
Note-se que estas infiltrações influenciam grandemente a conta energética já que esse ar que entra tem de ser aquecido ou arrefecido conforme as necessidades.
É por isso que hoje em dia as casas são construídas por forma a terem um mínimo de infiltrações. Considero, no entanto, que reduzindo drasticamente este nível de infiltrações vamos também originar ambientes menos agradáveis pelo que deverá haver sempre um equilíbrio. Mais, deverão ser previstas boas ventilações de extracção, quer da cozinha, quer dos sanitários, para evitar que os odores passem para as outras zonas da habitação.
Relativamente à humidade, esta também é importante pois afecta as paredes, os vidros, espelhos, livros, mobiliário, etc.. Normalmente, a forma mais fácil de controlar o ambiente numa casa é com um aparelho de ar condicionado do tipo split pois este controla a temperatura ambiente do local.
Paralelamente deve ser considerado um sistema de desumidificação que permita controlar a humidade dentro de valores aceitáveis.

8. Conclusões. Faço mesmo notar que sou totalmente contra um sistema de ar condicionado, ou mesmo aquecimento central, pois tal implica que haja uma central de ar condicionado ou aquecimento, em que todo o ar da habitação é misturado e distribuído por todas as salas. Isto implica que o ar dos quartos é misturado com o ar das salas e vice-versa.
Ora, isto poderá acarretar graves problemas de saúde em caso de doença de um dos moradores da habitação. É preferível, pois, a utilização de aparelhos individuais sempre que possível.
Como vemos, existem muitas condicionantes quando se fala no ar condicionado em função do fim a que se destina. Penso, no entanto, que deverá ser dada uma atenção preferencial à habitação, pois neste caso é normalmente o próprio consumidor final que decide em função daquilo que pretende.
Assim, considero que quem já tem uma casa e pretende climatizar uma sala deve apenas comprar um aparelho capaz de controlar térmicamente esse, e só esse local, e conforme for tendo disponibilidades, fazer o mesmo com os outros compartimentos, pois de outra forma ficará sempre mal servido.
Mais, deverá optar por um aparelho do tipo bomba de calor já que no nosso pais existem sempre alguns dias, pelo menos, em que é necessário aquecer o ar. Para além de nunca ser esquecida uma boa ventilação nos locais atrás mencionados, cozinhas e sanitários, também deverá ser considerada a desumidificação, principalmente em diversas zonas do pais.

9. Encerramento. Não quero terminar sem deixar de referir que neste momento se assiste a uma corrida desenfreada – já que as influências são grandes – de instalação de aquecimento central, principalmente a partir do momento que se fala do gás natural.
Parece ser a panaceia de todos os males e que os sistemas de ar condicionado passaram a ser obsoletos! Será que isto é verdade na maior parte do nosso país? Parece-me que as pessoas esqueceram que em Portugal existem grandes amplitudes térmicas, caso das zonas interiores, por exemplo Bragança e Évora, e que existem zonas em que a época quente é extensa, corno por exemplo, para além de Bragança e Évora, Coimbra, Lisboa e Algarve.
Será que essas pessoas consideram que o ar condicionado está obsoleto e já não é necessário? Então digam por que é que o consumo do mesmo tem aumentado em todo o mundo e mesmo em países aparentemente muito mais frios e evoluídos do que o nosso, como são os casos da Inglaterra, Alemanha, etc..
Mesmo no aspecto económico gostaria de ver um estudo comparativo em que fosse provado que um sistema de aquecimento central é mais económico que um sistema de cIimatização, nunca esquecendo que quem tiver um sistema de aquecimento central fica-rá sem nenhuma hipótese de controlar o que quer que seja na época quente ou então duplica os sistemas com os custos daí inerentes.
Mesmo no que toca à energia solar considero que ela é importante, apenas para o aquecimento de águas sanitárias, e que se na Grécia, Israel, etc., está bem implementada é por força da lei ou por incentivos governamen-tais. Países existem em que ela está bem implementada na sua utilização, casos da Áustria, Suíça e Alemanha, mas não se deve esquecer que são países ricos e as pessoas podem despender dinheiro na aquisição dos correspondentes equipamentos. Este não é o caso de Portugal.
Dou, no entanto, todo o meu apoio a que o Governo faça com que:
- Se construam habitações que sejam mais bem preparadas para poupar energia (sistemas passivos).
- Se utilizem mais sistemas solares para aquecimento de águas sanitárias.
Nestes casos o Governo deve dar mais subsídios, pois estaremos a contribuir para a economia do país de uma forma positiva.
Não quero acabar sem solicitar aos arquitectos que quando executarem os seus projectos devem prever a possibilidade de em cada habitação se irem podendo instalar aparelhos de ar condicionado conforme as possibilidades de cada um, já que este país não é de ricos e poucos são aqueles que de início podem fazer urna habitação com todos os requisitos de conforto necessários.
Só ao longo do tempo é que vão tendo hipóteses de ir comprando o seu carro, a sua máquina de lavar, o seu aparelho de ar condicionado, etc., e por vezes os problemas do condomínio, derivados da arquitectura do edifício, levam à impossibilidade de instalar aquilo que é bem importante para o seu conforto.

 

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