CONTROLO DE HUMIDADE AMBIENTAL

Desumidificadores de Ar por Absorção


Graças ao desenvolvimento dos sistemas de desumidificação com roda desecante de silicagel, o controlo da humidade no ambiente de trabalho, se não efectuado por este processo é uma das causas que origina a corrosão metálica, a proliferação de musgos e a deterioração da qualidade e frescura de muitos produtos.
O sistema de desumidificação por absorção, facilita uma secagem efectiva, eliminando a humidade do ar continuamente, capaz de desumidificar com eficácia absoluta mesmo em temperaturas altas ou muito baixas. De funcionamento com baixissímos ruídos e ausente de manutenção, é a solução para muitos problemas do dia a dia.

CARACTERÍSTICAS
A roda desecante de silicagel gira lentamente dentro de um módulo básico onde existem dois circuitos de ar, um para o processo de secagem e outro para regenerar o agente desecante. O ar do espaço atravessa o rotor de adsorção em silicagel de longa vida operativa, em 75% da sua superfície libertando aí a sua humidade. Nos restantes 25% da superfície do mesmo passará o ar de reactivação que levará consigo a humidade deixada na restante superfície.
Este sistema de desumidificação, têm como aplicação especialmente indicada para condições ambientais de relativamente baixas temperaturas (inferior a 20ºC) e humidades relativas (menores que 60%), além de um notável rendimento mesmo com humidades relativas superiores a 90%, tal como se demonstra através deste quadro. O processo de desumidificação mediante roda desecante oferece a importante característica da uniformidade de secagem do ar por serem simultâneos os efeitos de cedência de humidade nos circuitos de ar e o movimento constante do rotor. Os desumidificadores asseguram a obtenção de um sistema de fornecimento de ar seco de regulação fácil e uniforme.

Esquema de funcionamento


OS COMPONENTES
Os projectistas e os serviços técnicos precisam de estar directamente familiarizados com o desenho do disco desecante antes de começarem a trabalhar.Enquanto o disco desecante forma o "coração" do sistema, um determinado número de componentes chaves formam um sistema completo.
FILTRO DE ENTRADA: Um filtro na primeira fase com uma eficiênçia de 30%, previne que as impurezas ataquem os alvéolos do rotor.Um pré-filtro com uma eficiênçia de 65-85% ou um filtro de alta eficiênçia, pode ser utilizado numa segunda fase adicional.
PRE-AQUECEDOR - REACTIVAÇÃO Esta pode ser uma fonte de calor acionada por vapor ou gás natural, utilizada para extrair a humidade absorvida através do silicagel. DISCO DESECANTE É o componente principal e "cavalo de trabalho" do sistema, composto por um disco impregnado de silicato.
VENTILADOR DO SISTEMA DE REACTIVAÇÂOFaz passar o ar quente através do disco, transportando desta forma a humidade e reactivando o silicagel. Este processo é algumas vezes mencionado como ciclo de regeneração.VENTILADOR DO SISTEMA DO PROCESSOMove o ar seco através da porção do processo do rotor, proporcionando ar seco ao ambiente.
REGISTO DE SAÍDAUtilizam-se vários registos para controlar o fluxo de ar.Registos adicionais são utilizados para o sistema de balanço e afinação da humidade relativa desejada.

OUTROS COMPONENTES
Os projectistas e os serviços técnicos podem deparar-se com componentes adicionais numa unidade de disco desecante, especialmente se foi implantado um sistema modular ou quando este está integrado dentro de um sistema completo de manipulação de ar.

REACTIVAÇÃO DO AR: PRÉ-AQUECIMENTO PARA A REACTIVAÇÃO DO AREsta secção funciona com o calor de uma resistênçia eléctrica, ou calor indirecto por gás, vapor, ou aquecimento suplementar por água quente.
PROCESSAMENTO DO AR: SERPENTINAS DE PÓS-AQUECIMENTO Estas utilizam-se com corrente eléctrica, vapor ou água quente para atingir a temperatura necessária pré-estabelecida.

COMPONENTES DE CONTROLO
A complexidade depende da precisão, rendimento e níveis de ar requerido. O controlo pode consistir em válvulas de controlo e um motor que actua sobre as serpentinas de vapor ou água quente e controles para as serpentinas de aquecimento por sistema eléctrico.
Finalmente podem ser instaladas serpentinas de recuperação de calor no sistema para reutilizar económicamente o calor residual do ar de reactivação descarregado, para pré-aquecer o ar ambiente que entra, para conservação da energia.

NORMAS DE INSTALAÇÃO
A apropriada preparação do espaço é vital para o êxito de qualquer aplicação a desumidificar, bem como para alcançar as condições necessárias de humidade.O vapor de água exerce uma pressão específica que transita de um espaço para outro procurando o equilibrio.
Como resultado o vapor de água viaja através de quase todos os materiais de construção, explorando pequenas friestas e viajando também em conjunto com correntes de ar em movimento.Desta maneira deve criar-se uma barreira de vapor para obter os resultados de desumidificação precisos desejados.Os procedimentos de selagem da barreira básica de vapor incluem a calafetação das portas, janelas, claraboias, etc., assim como dos ventos e aberturas de espaço condicionado se não se usa ou não faz parte do sistema de desumidificação.

Para superfícies, há alguns materiais comerciais disponíveis para barreiras de vapor, tais como nylon aluminudizado, lâminas de alumínio, filme de polietileno, pontas de alumínio ou epoxy.Por exemplo uma solução de resina de polivinil de duas faces, pode ser extendida sobre um registo ou uma superfície seca. Qualquer que seja a barreira seleccionada, a efectividade depende de como esta se isolou e as suas cortinas estarem herméticamente fechadas e seladas, para formar uma blindagem integral ao vapor. O trabalho final deve produzir uma lâmina completa e sem roturas sobre a superfície total.

Os sumidouros de drenagem devem eliminar-se completamente ou isolar-se o mais herméticamente possível. As condutas de ventilação e o conjunto de extração devem ser eliminados ou isolados e toda a rede de ar deve ser conduzido através do sistema de controlo de humidade.Em geral, qualquer quantidade de humidade admitida na área em causa, pode incrementar o tamanho do sistema de desumidificação, para manter o espaço nas condições desejadas.Por conseguinte, todos os passos que reduzam estas cargas de humidade, ajudarão a reduzir o custo inicial do sistema, assim como os custos de operação.Junto com a adequada preparação do local é essencial o dimensionamento do equipamento, para o êxito da instalação.O objectivo é calcular a carga total de humidade que deve extrair-se por hora, baseando-se em vários factores.O dimensionamento, depende de duas variáveis: cargas do espaço interior e cargas externas.

CARGAS INTERNAS
Consistem nas pessoas, produtos, processos, superfície de água livre e qualquer quantidade de ar que se filtra no local sem passar através do sistema de desumidificação. Como tal, a carga interna necessita ser compensada pela capacidade de desumidificação.

CARGAS EXTERNAS
Consistem quase exclusivamente do ar exterior atribuído ao local. Deve ter-se cuidado ao referênçiar esta carga ou atribuir capacidade por excesso à referida carga interna.
O cálculo da carga interna é relativamente fácil, visto que a composição da quantidade de ar requerida é geralmente estipulada pelo consumidor ou calculada como uma boa prática no condicionamento de ar, para que este reuna as condições exigidas.O cálculo da carga interna requer julgar o processo ou o nível de actividade de trabalho. Além do mais os fluxos de humidade no local, através das paredes solos e tectos.Cada tipo de material de construção deve ser tido em conta. As principais fontes de cargas internas-infiltrações através das janelas, portas e friestas-, devem também ter-se em conta.Finalmente, averiguar as condições possivelmente mais duras do que as que possam estar expostas na parte exterior do espaço, ou seguem os dados climatéricos, consoante as cidades ou países em causa.
Não acreditar nas pessoas que dizem ter uma temperatura a 95ºC e uma H.R. de 90%. Estas condições não existem na natureza.
E antes de operar a unidade, todas as ligações de ar e aberturas de descarga devem ser completamente desobstruídas.

EXEMPLOS DE APLICAÇÕES
1- Protecção contra a corrosão e condensações

A corrosão dos metais deve-se principalmente aos altos valores de humidade relativa ambiental. É comum aceitar que abaixo de 40% de H.R. não há oxidação, no entanto acima de 60% de H.R. a velocidade corrosiva aumenta drásticamente, independentemente da temperatura ambiental normal.

2- Melhoria da qualidade dos produtos e poupança de energia
Muitos processos de fabricação requerem um controlo de humidade com bastante precisão, como por exemplo nas linhas de produção de medicamentos, processos de fabricação de plásticos ou ainda na fabricação de fertilizantes ou conservação de sementes.

3- Secagem de produtos
a) Secagem a baixa temperatura:
Há hoje muitos produtos que não podem secar-se a altas temperaturas sem afectar sensibelmente a sua côr ou qualidade. Quando a temperatura de secagem não deve ultrapassar os 40ºC-80ºC a utilização do desumidificador aumenta a produção diminuindo-se o tempo de secagem. São os casos por exemplo da fabricação de texteis; produtos plásticos, depois de lavados; armazenamento de alimentos e produtos vegetais ou pescados.
b) Secagem a baixa humidade:
Também há casos em que não basta elevar a temperatura do ar para obter uma secagem efectiva. A utilização do desumidificador combinado com a temperatura correcta conseguem-se secagens óptimas, por exemplo na fabricação de fibras artificiais; películas fotográficas; vidro de segurança; semicondutores; etc.

4- Armazéns secos. Processos de empacotamento
Armazenar a baixa temperatura e humidade é sinónimo de manutençaõ de um bom sabor ou qualidade dos produtos. Se a humidade relativa ambiental sobe de 60% geram-se com facilidade o crescimento de musgos, antes de iniciar-se a corrosão metálica. O controlo da humidade pelo desumidificador é suficiente para evitar estes prejuizos, como por exemplo no empacutamento de arroz, açucar, etc.; armazenamento de medicamentos; conservação de sementes e/ou cereais; arquivos fotográficos; armazenamento de componentes electrónicos.

5- Climatização
A combinação do desumidificador com o acondicionador de ar, oferece melhor controlo de humidade em bibliotecas ou museus; câmaras climáticas; etc.Os desumidificadores podem utilizar-se de duas maneiras diferentes:

EM SISTEMA ABERTO
Cada objecto é desumidificado separadamente. O processo é controlado automáticamente. O ar, que não é recirculado, é seco numa única passagem até um baixo teor de humidade. O objecto que se pretende proteger é encerrado sob uma cobertura de plástico para o interior da qual o ar seco é conduzido através de tubos. Através de pequenos furos de escape, o ar sai para o exterior, mas de qualquer modo mantém-se a cobertura sobre pressão. Por este processo é sempre possível desumidificar objectos mesmo ao ar livre.


EM SISTEMA FECHADO
Quando todo um recinto têm de ser desumidificado, o ar é recirculado através do desumidificador. A humidade relativa é regulada automáticamente. A construção deve ser razoavelmente impermeável, não precisando todavia ser isolado térmicamente, o que permitirá que seja mais económica.

A FRICAL ALERTA PARA OS PROCEDIMENTOS ERRADOS CONTRA A CORROSÃO E OUTROS DANOS CAUSADOS PELA HUMIDADE:

-Aquecer o Ar:
Os que aquecem o ar para evitar os malefícios da humidade, devem lembrar-se que ar quente não é o mesmo que ar seco.
-Utilizar desumidificadores desactualizados:
Estes são desnecessáriamente complicativos e sujeitos a avarias. Ocupam muito espaço e são de manutenção e exploração com custos demasiado elevados.
-Proteger com massas:
Quando apenas se pretende proteger contra a corrosão, um antigo método é untar o objecto com massa. Está mal, pois de cada vez que o referido objecto vai ser utilizado é preciso limpá-lo, além de que podem provocar problemas ambientais e de higiéne.
-Outros procedimentos:
Aplicar pinturas, tratar superfícies e usar inibidores. Porém, muitas vezes, a desumidificação poderá ser um método mais barato ao mesmo tempo que evita outros tipos de ataques da humidade.


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