O BARATO PODE SAIR CARO
Diz o ditado popular que "o barato sai caro". E parece que, em sistemas de climatização, é verdade. Comprar, sim, mas com garantias. Procurar produtos certificados é prioridade. Não esquecendo que o pouco mais caro talvez sia mais barato no futuro. "Mais vale prevenir do que remediar".

Os equipamentos ("chillers", grupos geradores, caldeiras, ventiloconvectores, entre outros) são, regra geral, motivo de preocupaçao. Não somente em termos de preço, mas também de rendimento, "performance", fiabilidade, custos de exploração e de manutenção, pois neles se concentra um elevado valor, parte do investimento. Aqui consegue-se, após uma análise cuidada das caracteristicas dos equipamentos e seus respectivos custos, fazer uma opção consciente do equipamento a instalar.
Temos também, e cada vez mais divulgada, a gestão de energia que nos permite racionalizar e economizar nos consumos, resultando daí uma maior rentabilização dos equipamentos.
Convém, no entanto, não esquecer uma outra parte, por vezes bastante significativa desse mesmo investimento, que é: as condutas, as tubagens, os isolamentos, etc., e, ainda, todo o restante conjunto de acessórios (fitas, perfis, suspensões e muitos mais) que, se não forem bem escolhidos e bem instalados, põe em causa não só a instalação em si como até o próprio projecto.

São evidentes as dificuldades de escolha entre materiais, por vezes semelhantes e com preços bastante diferentes. Cabe aqui a vez do bom senso e até da capacidade pedagógica do projectista, e também da fiscalização, para levar a que o dono da obra aceite e distinga as vantagens de uma chaminé modular, isolada e revestida em aço inox 316 sobre uma outra em aço 304; ou o instalador que utilizar perfis para condutas mais baratos 20% ou 30% que podem resultar, no final, economicamente muito desfavoráveis, se outros, aparentemente mais caros, podem ser utilizados para medidas maiores de conduta, dispensam pontos adicionais de junção (vulgarmente designados grampos GCP) que custam quase tanto cada um como um metro de perfil?
E quais as garantias oferecidas, qual a percentagem de fugas, qual a relação dimensão da conduta/pressão interior/cali-bre do perfil a utilizar?
E as fitas de vedação, será que só diferem nos preços? Então a sua aderéncia e tipo, a sua temperatura de funcionamento? Todos sabemos como são, por vezes, elevadas as temperaturas no interior dos tectos falsos, sobretudo em coberturas. Vamos então escolher uma fita de alumíno no isolamento apenas pelo preço? Claro que, após aplicada a fita, e surgidos os primeiros proble mas, é quase impossível reclamar perante o fomecedor ou o fabricante da mesma. Para evitar isso, utilizem-se fitas com identificação própria.

Com estes simples exemplos pretendeu-se, apenas, chamar a atenção para aqueles pequenos elementos que também constituem uma instalação e que, pelo seu baixo valor unitário, são, por vezes, esquecidos ou relegados para segundo plano, quando, no seu conjunto e pelo seu elevado número, têm, também, um valor económico apreciável, ou pelo menos não desprezível, e que quanto melhor seleccionados forem e melhor aplicados, mais reduzem à componente mão-de-obra e menores custos de exploração e de manutenção vão trazer no futuro.
Mesmo nestes materiais, há que estar seguro da sua qualidade e garantias, porque não há dúvida que todos os fabricantes com responsabilidades têm os seus produtos credenciados e certificados. Então há que, pelo menos, exigir desses produtos as respectivas características e certificados, se os houver, e não ficar na expectativa de que, como os produtos são aparentemente muito semelhantes, as suas características e os seus comportamentos também o são.


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